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Nesse rivalismo político instalado no Brasil desde as eleições, eu não tenho lado. Tendo a ser contra o governo Bolsonaro – como seria, fosse o Haddad –, mas por razões diferentes da maioria dos opositores. Meu lado é, particularmente, o da honestidade (aqui evocada como mais que mero antônimo propagandista para corrupção). 

É desonesto culpar o atual governo por Brumadinho. Se não é desonesto, é imediatista. Crimes como esse não se constroem em um mês, e usar a tragédia para bater no presidente é oportunismo. Casos como esse são a ponta de um processo de décadas – ou séculos: a cultura de agressão ao meio ambiente desembarcou aqui de caravela.

É claro que entendo a relação que se faz entre a tragédia e as afirmações de Bolsonaro e equipe quanto às suas políticas ambientais. É preocupante, sim. Pode causar mais problemas do tipo no futuro, sim. Mas não o de Brumadinho. É preciso deixar às claras.

Acredito que se alguém vai se opor ao governo, deve fazer de maneira honesta – no caso, intelectualmente honesta. Do contrário, corre-se o risco de fazer o que o PT fez: batera até não poder mais no poder então vigente, para, tornando-se o poder vigente, agir muito parecido com o que criticava – Mano Brown expressou isso melhor do que poderia aqui.

No período de eleições, ouvi bastante do lado que hoje é oposição que “política não é futebol”. Agora, a atitude desse mesmo grupo parece bastante com a de arquibancada: tudo é um “nós contra eles”.

Propus esse ponto justo para não corrermos o risco de fazer o que fiz, propositadamente, com o texto: debater a política em torno da tragédia, em vez da tragédia em si. Acredito que nesse momento, a solidariedade de todos os lados – do país, do espectro político – é mais importante. A hora da política virá.

29 de Janeiro de 2019

Por Gustavo Lima