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A afirmação do título parecerá óbvia para alguns se o país citado for o Brasil. Os defensores da causa advogam que este é um problema que precisa ser solucionado, pois prejudica a segurança da comunidade LGBT.

As estatísticas variam. Alguns dizem um a cada 25h; outros apontam 420 por ano; balanços comparativos entre as estatísticas são feitos aos milhares. Enfim, não importa tanto os números exatos ou os métodos utilizados, a conclusão basta: o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo.

Além da conclusão, os dados, ao serem divulgados pela grande mídia, são retirados de instituições ditas especializadas na causa e que desenvolvem pesquisas que geram estatísticas sobre a real situação dos homossexuais no país. Órgãos como a Rede Trans, a ANTRA, o Grupo Gay da Bahia (GGB), a Universidade Federal do Rio de Janeiro entre outros. Os relatórios produzidos são divulgados por meios de comunicação como O Globo, Correio Braziliense, UOL, Agência Brasil e foram utilizados até mesmo pelo Ministério dos Direitos Humanos.

Os números são assustadores e provocam em um primeiro momento o espanto de quem lê. A impressão passada são de verdadeiras chacinas de homossexuais todos os anos. No entanto, alguns dos métodos utilizados têm sido criticados. Um exemplo vem do geneticista Eli Vieira, que é homossexual e tem se dedicado a crítica de pautas do movimento LGBT. Ele produziu uma reanálise do relatório de 2017 do GGB e concluiu que apenas 6% dos 347 casos assinalados são de fato motivados por homofobia, enquanto 42% tratam-se de assassinatos sem nenhuma motivação devido a orientação sexual e 47% são inconclusivos.

Outro exemplo de contestação dos relatórios do GGB vem do site “Quem a homotransfobia não matou hoje?”, que aponta as inúmeras fraudes presentes nestes relatórios. Ele aponta que entre as estatísticas classificadas como crimes de homofobia no Brasil estão mortes por bala perdida, paradas cardiovasculares e até casos de heterossexuais assassinados. O caso da vereadora Marielle Franco também é emblemático para as estatísticas. Antes de serem concluídas as investigações e de tudo apontar que a sua morte tenha sido encomendada pela milícia carioca, o GGB já classificou como um crime de homofobia.

Outros exemplos poderiam ser citados, como os relatórios do professor Luiz Mott da Universidade Federal da Bahia (UFBa) ou o Dossiê sobre Lesbocídio do Brasil da UFRJ. Estes também apresentaram problemas em relação ao método, que em geral utilizam noticias veiculadas na grande mídia como matéria prima ao invés de fontes primarias como relatórios de investigação policial e boletins de ocorrência. O critério de classificação dos crimes também é questionável, sendo suficiente o envolvimento de um homo/transssexual para o acréscimo nos números sem levar em consideração a motivação do crime (quando este existe)  Entretanto, os casos citados bastam para levantar a dúvida em relação ao que de fato é um crime de homofobia e se esse é realmente um problema tão grande assim. Aqui não cabe a discussão em relação ao preconceito sofrido por homo e transexuais que de fato existe, mas a questão é: esta tal homofobia, tão citada e problematizada e pouco definida conceitualmente, de fato mata ao ponto de gerar mais preocupação do que as quase 70 mil vítimas da violência no Brasil?

14 de Fevereiro de 2019

Por Vicente Alves